Produção da aluna do 1º semestre do Curso de Tecnologia
em Gestão Ambiental do IFSP - SRQ: Beatrice Silva Vieira, sob orientação das
docentes Glória Cristina Marques Coelho Miyazawa (Educação Ambiental) e Tatiane
Monteiro da Cruz (Leitura, Produção e Interpretação de Texto).
Esse Blog é resultado do trabalho conjunto de um grupo de professores do IFSP Câmpus São Roque, para divulgação das produções dos alunos. Inicialmente, contemplando o Dia Internacional da Biodiversidade (22/05) e Dia Nacional da Mata Atlântica (27/05), as temáticas foram ampliadas, permitindo a exploração de diversas formas de expressão artística que se apresentam dentro das linguagens plástica, textual, musical, audiovisual, gestual e informativa, de forma interdisciplinar.
sexta-feira, 5 de junho de 2020
Obra "Sem título"
Produção da
aluna do 1º semestre do Curso de Tecnologia em Gestão Ambiental do IFSP - SRQ: Ana
Beatriz Barbosa, sob orientação das docentes Glória Cristina Marques Coelho
Miyazawa (Educação Ambiental) e Tatiane Monteiro da Cruz (Leitura, Produção e
Interpretação de Texto).
Baleia Jubarte
BALEIA
JUBARTE
Natália Rodrigues
de Oliveira Pinto1 e Pedro Henrique dos Santos1
1
Discentes do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas do IFSP - SRQ.
Trabalho desenvolvido na disciplina de Ecologia, sob orientação
da docente Profa. Dra. Glória Cristina Marques Coelho Miyazawa.
A
baleia jubarte (Megaptera novaeangliae)
também conhecida como baleia corcunda, tem a origem de seu nome científico do
grego antigo Megaptera que significa
“grandes asas”, pois quando salta por alguns segundos, desafia as leis da
gravidade ao tentar voar com sua nadadeiras peitorais que podem medir ⅓ de seu
comprimento total, sendo comparado ao de um pássaro. Quem tem o privilégio de
presenciar a jubarte saltando, pode vir a ficar mais impressionado ao descobrir
que ela pesa cerca de 35 a 40 toneladas e mede 16 metros de comprimento em
média.
Técnicas
de identificação
A
população de baleias jubartes fazem parte de um catálogo de animais foto identificados.
O que seria esse registro e qual a importância para tal espécime?
Bem,
as primeiras estimativas do número de baleias jubartes na costa do Brasil
utilizaram a técnica de marcação e recaptura, que consiste em identificar a
nadadeira caudal da baleia e fazer um registro fotográfico dela, porque essa
região equivale a uma digital do animal por possuir um desenho único, logo, a
recaptura é quando o mesmo indivíduo é fotografado novamente.
Figura
2. A
nadadeira caudal da jubarte é equivalente às impressões digitais dos
humanos, possuindo um desenho único
(Foto: Sergey Uryadnikov/Shutterstock).
Quanto
mais jubartes forem registradas, maior as chances de reavistagem, que
possibilita o controle da estimativa populacional e o crescimento ao longo dos
anos. Com as fotos feitas entre 1996 e 2000, a população foi estimada em cerca
de 2 mil jubartes.
Com
o tempo uma técnica de estimativa populacional mais eficaz começou a ser usada,
conhecida como transecção linear, que consiste basicamente em traçar linhas de
amostragem de forma paralela e posicionadas perpendicularmente à costa, ou em
zig-zag, monitorando deslocamentos e permitindo contar o número de indivíduos
por segmento desta linha (WEDEKIN, 2011). Essa identificação pode se dar por
levantamentos aéreos e/ou cruzeiros sistemáticos de embarcação.
Figura
3. Representação
esquemática do esforço de procura dos observadores em relação à aeronave. Área
cinza representa região de maior esforço de observação (Figura: modificada de
Buckland et al., 2001 apud WEDEKIN, 2011).
Figura
4. Linhas
de transecção dos sobrevoos para estimar a densidade de baleias-jubarte nos
anos de: 2001-2004, 2005 e 2008. Abreviações correspondem aos estados da
federação brasileira amostrados em cada período. Linha cinza tracejada
corresponde à isóbata dos 500 metros (Figura: WEDEKIN, 2011).
Em
2001, foram registradas 2.230 baleias no litoral da Bahia e do Espírito Santo
e, a partir daí, houve uma taxa de crescimento significativo. Dados recentes, levantados
em 2019, apontam para cerca de 17 mil jubartes nesta mesma área.
A
recuperação desta espécie é uma vitória para os biólogos envolvidos, pois a
cada ano a estimativa se aproxima do número de baleias jubartes original da
espécie na costa brasileira, que girava em torno de 25 a 30 mil antes do
período de caça comercial que aconteceu, principalmente, na primeira metade do
século passado.
O
vídeo abaixo mostra o censo realizado em 2019, com recuperação no número de
baleias.
Ecologia
populacional e reprodutiva
Cosmopolitas,
as baleias jubartes migram anualmente para regiões tropicais e subtropicais
durante o inverno, vindo das áreas de alta latitude, a procura de águas mais
quentes e rasas para acasalamento e cria dos filhotes. O custo energético da
migração e jejum durante o período reprodutivo é alto, principalmente para fêmeas
lactantes. Com isso o Arquipélago dos Abrolhos, é uma importante área de
reprodução e cria no Brasil, devido à alta frequência de grupos contendo
filhotes (BISI, 2006). Os primeiros meses da vida dos filhotes de baleia
jubarte envolvem um longo período de amamentação e um intenso contato entre mãe
e filhotes, nas áreas de reprodução.
É
considerada uma espécie de vida longa e reprodução lenta. As fêmeas têm uma
gestação de 11 a 12 meses e os filhotes nascem medindo entre 4 e 4,5 metros de
comprimento. Durante o crescimento do filhote, para evitar acidentes, ataques
ou que ele se perca, existe um contato corporal intenso com sua mãe. Esse
contato, se encerra apenas ao final do primeiro período de alimentação e a
chegada do grupo de volta às águas tropicais. O filhote pode permanecer mais um
tempo com sua mãe ou finalmente se juntar a outro grupo. E embora crie
independência, demora entre 4 e 5 migrações para atingir a maturidade sexual com
aproximadamente cinco anos de vida, podendo viver quase 50 anos de idade.
Uma
curiosidade é que as fêmeas são sempre as últimas a migrarem com seus filhotes
pois, precisam esperar que eles aumentem sua camada de gordura e aperfeiçoem
suas musculaturas para aguentar a viagem.
Figura
6.
Drone registra os momentos após o nascimento de um filhote de baleia jubarte (Foto:
Marine Mammal Research).
Dentro
da distribuição conhecida para a espécie na costa brasileira, a abundância
relativa de baleias cresce continuamente a partir do início de julho, atingindo
um pico no final de agosto e começo de setembro. Após o pico, a abundância
decresce até o final de novembro, quando a maioria dos indivíduos já retornou
para a área de alimentação.
O
grupo social da espécie está diretamente ligada ao seu ciclo migratório, sendo
tipicamente pequeno e instável, com exceção dos competitivos ou de
acasalamento, constituídos de uma fêmea que pode ou não estar amamentando o
filhote, acompanhados de pelo menos dois machos, chamado de escorte, sem
parentesco com o filhote. Acredita-se que esses escortes estejam esperando para
acasalar com a fêmea, ou impedir que outros machos se aproximem dela.
Figura
7.
Grupo social de baleia jubarte, ligado ao seu ciclo migratório (Foto: Tomas
Kotouc / Shutterstock.com).
Comportamento
A
baleia jubarte é conhecida mundialmente por seus grandes saltos. O motivo desse
salto, ainda é estudado, existindo a hipótese de que seja uma forma de
comunicação com seu grupo ou, um macho tentando impressionar a fêmea. Outra
hipótese é que seja uma forma encontrada por esse animal para se livrar de
parasitas e cracas que ficam aderidas em seu corpo.
Figura
8. Cracas
fixadas nas costas de uma baleia (Fonte: Site Quero ver baleia - Amigos da Jubarte).
Em
relação ao seu comportamento, a baleia Jubarte pode ser considerada um animal
muito comunicativo. Por exemplo, nas áreas de reprodução, os machos produzem
extensas e complexas vocalizações, que pode tanto atuar como um display sexual
para atrair as fêmeas como para afugentar outros machos de uma determinada
área.
O
seu método de respiração consiste em imergir na superfície para que ocorram as
trocas gasosas em seus pulmões. Como todo cetáceo, ela ejeta através de seu
orifício respiratório um esguicho d’água, onde na verdade está liberando ar
quente que ao entrar em contato com o exterior, sofre condensação. Após esse
processo, ao mergulhar, um tampão fecha este orifício, impossibilitando a
entrada de água. Possui também, a capacidade de permanecer submersa por um
período de 21 minutos, devido ao grande tamanho de seus pulmões e,
consequentemente, a grande quantidade de oxigênio que absorve. Usa como um
outro método, a diminuição da frequência cardíaca com a finalidade de reduzir o
fluxo de sangue, fazendo o oxigênio circular lentamente.
Figura
9. Anatomia
da baleia Jubarte (Foto: Portal Toda Matéria).
Alimentação
Essa
espécie possui um período de alimentação durante o verão para acumular energia,
na forma de gordura. Esta reserva energética permite que suportem um jejum de
alguns meses, durante a estação reprodutiva. Por não possuir dentes, a baleia
jubarte tem como principal fonte e base alimentar os krills (nome dado a um
conjunto de animais invertebrados semelhantes ao camarão). A migração se ajusta
à disponibilidade sazonal do krill, que não existe em águas tropicais. Pequenos
cardumes de peixe podem entrar em sua dieta.
Figura
10. fotografia
ampliada de krills (Foto: David Tipling).
Em
grupo, as baleias possuem uma técnica de caça única conhecida como “rede de
bolhas”, onde uma delas mergulha em círculos soltando bolhas, formando uma
coluna e aprisionando os krills. Logo em seguida, outra baleia nada em direção
a superfície com a boca aberta a fim de engolir a maior quantidade de presas
que conseguir. Neste processo existe um revezamento para que todas se
alimentem.
Figura
11. Esquema
representando técnica de caça em grupo conhecida como "rede de
bolhas". (Portal Toda Matéria)
O vídeo abaixo mostra em detalhes este processo.
A
alimentação do filhote consiste na amamentação de até 400 litros de leite por
dia. Neste processo a mãe se posiciona verticalmente com a cabeça voltada para o
fundo do mar e a cauda fora da água. Acredita-se que possuem esse costume para
que as glândulas mamárias fiquem próximas da superfície, facilitando o processo
de respiração do filhote. Ao completar 10 meses, esse filhote começa a desmamar
e, por um tempo, intercala o leite materno e a ingestão de krills. Ao final do
período de alimentação, as baleias migram de volta para as águas quentes, onde
permanecem sem comer por meses até o próximo verão do hemisfério sul, utilizando
a espessa camada de gordura para sobreviver.
Referências
BALEIAS: por que protege-las. Agência Ambiental
Pick- upau. Disponível em: <https://www.pick-upau.org.br/mundo/baleias/baleias.htm>.
Acesso em: 31 maio. 2020
BISI, T. L. Comportamento
de filhotes de baleia jubarte, Megaptera
novaeangliae, na região ao redor do arquipélago dos abrolhos, Bahia (Brasil).
2006. 90f. Dissertação (Mestrado em Ciências, Área de Ecologia) – Universidade
de São Paulo, São Paulo, 2006.
DIANA, J. Baleia Jubarte. Site Toda Matéria. 2018. Disponível em: <https://www.todamateria.com.br/baleia-jubarte/>.
Acesso em: 31 maio. 2020.
PORTILHO, G. Por que as baleias ejetam água? Revista
Mundo Estranho. São Paulo, 04 de jul. de 2018. Disponível em: <https://www.google.com/amp/s/super.abril.com.br/mundo-estranho/por-que-as-baleias-ejetam-agua/amp/>.
Acesso em: 31 maio. 2020.
PROJETO BALEIA JUBARTE. Disponível em:
. Acesso em: 31
maio. 2020
QUERO ver baleia. Amigos
da Jubarte. A craca e as baleias Jubarte. Disponível em:
https://www.queroverbaleia.com/single-post/A-Craca-e-as-Baleias-jubarte. Acesso
em: 31 maio. 2020.
WEDEKIN, L. L. Ecologia
populacional da baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae Borowski, 1871)
em sua área reprodutiva na costa do Brasil, Oceano Atlântico Sul. 2011.
144f. Tese (Doutorado em Ciências Biológicas – Zoologia) – Universidade Federal
do Paraná, Curitiba, 2011.
Briófitas e Musgos
Briófitas e Musgos, o que são e pra que servem?Uma jornada guiada pelo Polytrichum commune e outras espécies da família Polytrichaceae
Marina Cordovil de Oliveira1
1
Discente do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas do IFSP - SRQ.
Trabalho desenvolvido na disciplina de Ecologia, sob orientação da docente
Profa. Dra. Glória Cristina Marques Coelho Miyazawa.
Você
sabe o que são briófitas? Já ouviu falar em musgo? Sabe qual a diferença entre
os dois? Tem curiosidade em saber pra que servem os musgos na natureza? Vamos
passear sobre esses conceitos enquanto usamos de referência uma espécie muito
interessante, a Polytrichum commune.
As
plantas são divididas, didaticamente, em quatro grupos principais, briófitas, pteridófitas, gimnospermas e
angiospermas, sendo briófita o grupo que engloba as plantas mais simples, de
pequeno porte, encontradas em ambientes úmidos, que não possuem vasos
condutores, raízes complexas, flores ou frutos...mas calma, prometo que elas
também tem sua importância.
Bem, agora o que é Polytrichum commune? Polytrichum
commune é uma espécie de musgos pertencentes a família Polytrichaceae
que engloba plantas comumente chamadas de “musgão” identificadas, dentre outras
características, por sua aparência semelhante a cabelos desgrenhados (daí o
nome, polys, significando "muitos", e thrix,
significando "cabelo").
Figura 1. Musgos da família Polytrichaceae
assemelham-se a fios de cabelo. Foto: James Lindsey em Ecology of Commanster
Então toda briófita é musgo? Não
exatamente..., mas deixa que eu te explico! Basicamente todos os
musgos são briófitas, mas nem todas as briófitas são musgos! Musgos são o que nós chamamos de
briófita stricto sensu (em sentido específico) ou seja, aquelas com três partes corporais distintas nos
indivíduos adultos (rizoides, cauloides e filídios), esporófitos e outras
características macroscópicas do gametófito. A figura 2 traduz esse “biologuês”
pra você.
Figura 2. Anatomia básica de musgos (Fonte: https://descomplica.com.br/artigo/ainda-tem-duvidas-sobre-histologia-vegetal-tire-aqui-suas-duvidas-sobre-briofitas-e-pteridofitas/4LJ/).
As plantas da família Polytrichaceae
são encontradas em todos os continentes, incluindo regiões árticas e de
altitude elevada, já o Polytrichum commune pode ser encontrado
principalmente na Mata Atlântica, Cerrado e Pampa e tem a
preferência por barrancos arenosos ou argilosos com pouca ou sem vegetação, solos
levemente ácidos e frequentemente em
locais recém descobertos, agindo tanto quanto vegetação primária, ou seja,
aquela que atua como fundadora e que prepara o ambiente pra que outras espécies
consigam se estabelecer, quanto como secundária, aquela que surge após a perda
parcial ou total da vegetação primária.
Ok,
eu entendi o que são os tais dos Polytrichaceae, mas por que eles são
importantes?
Bom,
isso é fácil de responder, além de como previamente dito, oferecerem condições
pra que outras espécies se estabeleçam em áreas perturbadas e ocuparem
superfícies de difícil acesso pra outras plantas (beiras de rios e áreas
rochosas, por exemplo), as briófitas, em geral, ocupam um importante papel no
monitoramento ambiental servindo como indicadores ecológicos, tendo em vista serem
muito sensíveis a mudanças nos níveis de poluição por não possuírem raízes
complexas que filtrem poluentes. Além disso, são ótimas em evitar
desbarrancamentos, por protegerem o solo de umidade excessiva.
E
aí, curtindo um pouco mais as briófitas agora? Elas têm muita história pra
contar já que são bem antigas, datando lá da era carbonífera (entre 359 e 299
milhões de anos atrás) praticamente um registro histórico em forma de ser vivo!
Referências
CORREIA, L. C. B. Brioflora epifítica e rupícola da Mata da Câmara, São Roque
– SP. Levantamento
florístico e confecção de material didático. 2016. 47f. Trabalho de Conclusão de curso (Licenciatura em
Ciências Biológicas). Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de
São Paulo, São Roque, 2016.
GLIME, J. M. 2007.
Medicine. In: GLIME, J. M. Bryophyte Ecology. v. 5. Uses. Ebook
sponsored by Michigan Technological University and the International
Association of Bryologists. Disponível em: <http://www.bryoecol.mtu.edu> Acesso
em: 31 maio 2020.
PERALTA, D. F. Polytrichaceae (Polytrichales, Bryophyta)
do Brasil. 2009. 170f. Tese (Doutorado em
Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente) – Universidade de São Paulo, São Paulo,
2009.
SILVERSIDE, A. J. Biodiversity Reference: Polytrichum commune Hedw. University of Paisley, 2005. Disponível em: < http://web.archive.org/20051228200743/www-biol.paisley.ac.uk/bioref/Bryophyta/Polytrichum_commune.html> Acesso em: 02 jun. 2020.
Sagui-de-tufo-preto
Callithrix penicillata
Irys Brasilino1;
Isabela Viana1; Julia Alves1
1 Discentes do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas do IFSP - SRQ.
Trabalho desenvolvido na disciplina de Ecologia, sob orientação
da docente Profa. Dra. Glória Cristina Marques Coelho Miyazawa.
Callithrix penicillata,
popularmente conhecido como sagui do tufo preto, é um mamífero da ordem dos
primatas. Possui tufos pré auriculares de cor preta, uma mancha branca na
testa, sua nuca e ventre podem ser castanhos ou cinza claro acastanhado, dorso
com coloração estriada e cauda anelada.
Foto: Paula Baldassin, 2020.
São animais de pequeno porte, pesando em média 250 gramas,
e com comprimento de 17,4 centímetros. São endêmicos das regiões Nordeste e
Centro Oeste, mas atualmente estão localizados em diversos estados, sendo por isso,
considerada uma espécie invasora nas regiões Sudeste e Sul.
Possuem uma alimentação rica e variada, baseada em exsudato
(goma, seiva, resina ou látex) produzido por algumas plantas/árvores como,
pau-terra, pau-de-tucano e cedro, mas podem se alimentar também de frutos,
flores ou pequenos insetos, sendo considerados exsudativoros-insetívoros.
Costumam andar em bandos, que são divididos em castas, onde
apresentam um macho e uma fêmea dominante. Apresentam um maior deslocamento no
período da manhã, próximo das 8h00, até aproximadamente 10h00 e no início da
tarde das 13h00 às 15h00. No restante do tempo, os saguis ficam em repouso.
Passam boa parte do dia se comunicando através de
vocalizações do tipo: chamado, interação, alerta e outros. Usam as vocalizações
para uma comunicação direta, quando estão perto ou distantes uns dos outros;
quando estão forrageando (ato de procurar o alimento) e se alimentando ou, em
situações de ameaça de predadores por perto.
Foto: Instagram:medvet.daphne
A introdução destes animais em ambientes diferentes da sua
distribuição original e sua interação com humanos, ocorreu principalmente por
conta do tráfico ilegal destes primatas, para domesticação. Como os saguis têm
um temperamento “forte”, podendo ser agressivos com outras pessoas e animais
para defender seu espaço, algumas pessoas ao se depararem com estes
comportamentos, acabam soltando os animais em pequenos fragmentos de florestas próximos
a cidades, possibilitando a reprodução com muita facilidade. Enquanto nos ambientes
naturais eles geram no máximo dois filhotes por ano, com esta mudança ambiental
chegam a gerar o dobro de descendentes.
Os saguis são altamente adaptáveis em lugares com grande
disponibilidade de alimento. Em seu habitat natural, os animais possuem uma
quantidade de alimento menor, sendo um fator chave para o controle populacional,
em que a competição por alimento limita o desenvolvimento dos indivíduos desta
população e nem todos alcançam a maturação sexual, que os possibilita gerar uma
prole. Este fator de controle não ocorre em regiões onde ele se tornou uma
espécie invasora como no Sul, onde há abundância de alimentos para a espécie.
Com esta espécie aumentando cada vez mais em regiões invasoras eles se aproximam
cada vez mais dos humanos.
O contato com humanos nem sempre é algo saudável, tanto para
os saguis quanto para os humanos, tendo em vista que ambos podem ameaçar a
qualidade de vida um do outro, através da transmissão de doenças como a raiva,
herpes, febre-amarela, varíola entre outas doenças.
Referências
BARIJAN, B. C. Diagnóstico
populacional e comportamental de saguis-de-tufo-preto (Callithrix penicillata)
em ambiente peri-urbano. 2013. 15f. Trabalho de conclusão de curso (Bacharelado
em Ciências Biológicas) - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita
Filho, Botucatu, 2013. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/118211>.
Acesso em: 31 maio 2020.
DAVID, A. V. Padrão de atividades, ecologia alimentar e
área de vida em um grupo de Callithrix penicillata (HUMBOLDT, 1812) (Primates,
Callitrichidae) (sagui-de-tufos-pretos). 2005. 93f. Dissertação (Mestrado
em Biologia Animal) – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho,
São José do Rio Preto, 2005.
MATIAS, J.; ALONSO, P. J. Como criar sagui. Revista Globo
Rural, São Paulo, 03 de dez 2013. Disponível em: <https://revistagloborural.globo.com/vida-na-fazenda/como-criar/noticia/2013/12/como-criar-sagui.html>
Acesso em: 31 maio 2020.
RÍMOLI, J.; PEREIRA, D. G.;
VALLE, R. DEL R. Avaliação do Risco de
Extinção de Callithrix penicillata (É. Geoffroy, 1812) no Brasil. Disponível
em: https://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/estado-de-conservacao/7207-mamiferos-callithrix-penicillata-sagui-de-tufos-pretos>
Acesso em: 31 maio 2020.
ZALUAR, M.; RANGEL, C. Saguis – Callithrix jacchus e Callithrix
penicillata: informações. Núcleo de Conservação da Fauna do JBRJ,
Rio de Janeiro, 23 de agosto de 2013. Disponível em: <https://projetofauna.wordpress.com/2013/08/23/saguis-callithrix-jacchus-e-callithrix-penicillata-informacoes/>
acesso em: 31/05/2020.
quinta-feira, 4 de junho de 2020
Poema: O nosso amor
Gracioso beija-flor
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